quinta-feira, 19 de abril de 2018

MODOS DE AMAR - MODO DE AMAR – IV










Encostada de costas

ao teu peito



em leque as pernas

abertas

o ventre inclinado



ambos de pé

formando lentos gestos



as sombras brandas

tombadas no soalho





Maria Teresa Horta

terça-feira, 17 de abril de 2018

PRAZER A DOMICÍLIO





Assim que comecei a trabalhar na pizzaria, meus colegas falavam muito de uma cliente que toda sexta, sábado e domingo fazia o mesmo pedido: uma pizza, metade calabresa sem cebola, e metade frango com catupiry e azeitonas verdes. Pontualmente às 9 horas da noite. Todos brigavam para fazer aquela entrega, mas para me “batizar”, no meu primeiro fim de semana ali, mandaram-me para o apartamento dela. Um edifício chique. Não entendi por que os caras tiravam tanto sarro quando me viram saindo com a pizza “da madame”. 



Toquei a campainha. Uma mulher de uns 35 anos, linda, estilo capa de revista, atendeu, simpática: “Prazer, Rosana”. Fiz o mesmo: “Márcio. O prazer é meu”. Ela me olhou de cima a baixo e sorriu: “É nosso”. Com seu olhar cheio de tesão, parecia querer tirar minha roupa ali mesmo. Mandou-me entrar. Disse que ia buscar o dinheiro e saiu. Esperei na porta. Demorou; mexi na maçaneta… Fechada – e nada de chave! De repente, Rosana me chamou. Fui à sala de jantar e deparei-me com a visão do melhor banquete do mundo: Rosana deitada na mesa, totalmente nua. “Vem cá, vem… Quero ser recheada por você até às bordas”, disse, com uma vozinha meio gemida, supersensual. 



Aquilo não era só um convite – era uma ordem. Não pensei duas vezes. Quando me dei conta, já estava agarrado à sua cintura, sugando aqueles peitos fartos e firmes. Ela me deu um beijo quente, sua língua lambeu o céu da minha boca. Meu coração estava a mil. 



Eu já ouvira boatos sobre clientes que assediavam os entregadores, mas eu mal podia acreditar que estava acontecendo comigo. Era loucura demais! Só queria aproveitar a situação! Foi o que fiz. Alisei, beijei, lambi e apertei todo o corpão dela. Seios fartos e firmes; bunda grande, redonda, arrebitada; coxas torneadas… E entre elas, o triângulo mágico, de pelinhos macios. Quando fui enfiar o dedo lá, a danada fechou as pernas e segurou meu punho. “Não, o dedo não. Quero outra coisa”, falou. Mas eu nem liguei. Ela pensava que ia ficar me dando ordens? Não, senhora! Enfiei o dedo maior-de-todos com força, inteiro. 



Ela deu um baita gemido, dolorido, tentou me empurrar. Eu a segurei firme pela cintura com meu braço livre e iniciei um vaivém, primeiro com um, depois com dois dedos, bem rápido. Ela se desmanchou e abriu as pernas. Ao invés de empurrar, agora puxava minha mão. Eu remexia os dedos, rápido como um bom pianista. Em poucos minutos, ela foi à loucura, gozou urrando, tremendo inteirinha… Desvairada! Foi com muito esforço que não a possuí. Deixei-a em cima da mesa e fui embora. 



Minha estratégia deu certo: nos dias seguintes, Rosana ligava e exigia que eu fizesse a entrega. Acabamos nos tornando amantes. Uma vez, ela quis me dar uma gorjeta, além do valor pizza, mas recusei. “Oxente!” Sou entregador de pizza (e de prazer), não sou garoto de programa!





Anônimo




terça-feira, 10 de abril de 2018

MODOS DE AMAR - MODO DE AMAR – III











É bom nadar assim

em cima do teu corpo

enquanto tu mergulhas já dentro do meu



Ambos piscinas que a nado atravessamos

de costas tu meu amor

de bruços eu





Maria Teresa Horta

sexta-feira, 6 de abril de 2018

PRESENTE DE CASAMENTO








A comemoração do meu aniversário de casamento nunca foi tão memorável quanto a deste ano. Nas últimas cinco bodas, a rotina era jantar em um bom restaurante e seguir para o motel. Mas, como o clima não estava tão bom entre nós, resolvi sugerir que fizéssemos algo mais romântico. A sugestão dele foi de reservarmos um quarto de hotel para passarmos o final de semana. Adorei a ideia! 



Estacionando o carro no tal hotel, notei que era exatamente o qual uma grande amiga gerencia. A encontramos na recepção e contamos o motivo da reserva. Ela nos parabenizou e fez questão de ela mesma nos levar até o quarto. A cama era enorme, tinha também uma banheira e um sofá disposto bem no meio do cômodo que separava o quarto do banheiro. A gerente e amiga nos entregou a chave e desejou-nos uma ótima noite. E era disso mesmo que precisávamos. 



Meu marido, todo carinhoso, já havia pedido para deixar champanhe e morangos no quarto e logo começamos a saborear. Entre beijos carinhosos, fui tirando a camisa dele e ele o meu vestido. Sentei-o na cama, abri a braguilha e comecei a chupá-lo. O gosto do champanhe com o sêmen que começava a sair me excitava. Enquanto estava ali, ajoelhada, vi a porta se abrir. Um homem moreno, de terno e com cabelos bem penteados entrava no quarto lentamente. Senti uma mistura de medo com excitação, e continuei a chupar meu marido sem cessar. O homem começou a se despir na minha frente e meu marido não percebia nada, pois estava de costas. Completamente nu, ele passou para o outro lado do quarto e agachou-se junto a mim, colocando a mão entre as minhas pernas. Meu marido, percebendo o meu rebolado sincronizado com o sugar do seu pênis, sequer ousou mandar o homem embora. 



Percebendo a aprovação do meu marido, o moreno me pegou por trás, ali no tapete mesmo e penetrou em mim um pau rígido e grosso. Meu marido, gostando do encontro, começou a beijar os meus seios. As penetrações do homem começaram a ficar cada vez mais profundas e fortes, e meu marido seguiu o ritmo e mordia meus os seios vigorosamente. Sendo servida por dois homens, um conhecido e cheio de afeto e outro completamente desconhecido e vibrando em força, não demorou e os meus gemidos se transformaram em um alto grito de prazer. Aquele havia sido o mais intenso orgasmo da minha vida. 



Deitada no chão, já sem forças, vi o homem se vestindo e saindo sem dar uma palavra. Recebi um beijo do meu marido e em seguida ele me perguntou: “‘Gostou do seu presente de casamento, amor?”. 





Anônima 

domingo, 1 de abril de 2018

MODOS DE AMAR - MODO DE AMAR – II









Por-me-ás de borco,

assim inclinada...



a nuca a descoberto,

o corpo em movimento...



a testa a tocar

a almofada,

que os cabelos afloram,

tempo a tempo...



Por-me-às de borco;

Digo:

ajoelhada...



as pernas longas

firmadas no lençol...



e não há nada, meu amor,

já nada, que não façamos como quem consome...



(Por-me-às de borco,

assim inclinada...



os meus seios pendentes

nas tuas mãos fechadas.)



Maria Tereza Horta

quarta-feira, 28 de março de 2018

SEM PORÉNS E SEM PUDORES





Eu queria sugar todo aquele leite, me abandonar em deleite morno esparramada sobre o corpo liso imberbe que desejei tantos anos antes. 



Sem querer, nos esbarramos num dia qualquer fazendo qualquer coisa em qualquer lugar. Não importa. Eu conhecia aqueles olhos negros desde sempre, desde muito, ainda que agora estivessem emoldurados por uma barba farta e curta. Eram os mesmos olhos que olharam os meus tantas vezes, com desejo, com paixão curiosa e cheia de tesão em anos que éramos tão jovens que só podíamos nos desejar e usar os dedos. Foi muito rápido, e muito fácil, o que me deixou insegura e surpresa com a capacidade de me entregar assim, sem poréns, sem pudores, totalmente sem valores. Facinha, facinha. Ele também. 



Uma interjeição aqui, uma interrogação ali e, de repente, desligados do mundo, nem um pé no chão. Tanto tempo se passou e eu ainda só queria que ele me quisesse, e ele quis e a gente foi se encostando, se reconhecendo pedacinho por pedacinho com uma vontade que nem tinha reparado que ardia tanto. 



Aquela pele, aqueles pelos, aquela boca no meu pescoço me beijando, chupando, lambendo, sorvendo todos os aromas, aquelas mãos que segurei tantas vezes, segurando meus seios, firmes e inteiros. Aquele cheiro que eu já conhecia e o pau duro subindo pelas minhas coxas, a cabeça lisa e rosa entre meus pelos, meus lábios, minha língua. Parece que tinha música tocando mas não sei. 



Eu flutuei naquele rio de águas mornas e calmas, boiando sob o céu, sob o sol e as estrelas, hipnotizada por sua presença. Eu voei no azul tão levinha e pousei nos braços densos que me abraçaram de volta com desejos. 



Minhas mãos passearam por ombros, peito, costas, umbigo, e segurei o falo quente e rijo por minha causa. Então chupei com saudade de tudo o que não fizemos juntos, de tudo o que éramos tão jovens, com todas as vontades que tinham ficado em outro lugar que já tínhamos passado juntos e antes. Chupei e nossos corpos combinavam tão estranho quando nada mais tínhamos, mas gostamos. Meu ventre, meu útero, coçavam de vontade e a boca salivava de pele arrepiada e calor. Me encaixei sobre ele, o encaixe perfeito para o membro que ele tinha duro para mim e eu o possui fluida, tenra, suculenta bem lenta, deleitosa, gostosamente. 



Eu o possui deliciosamente, apetitosamente, como se saboreia um caqui maduro, uma manga no pé, derramando pelos cantos dos lábios lambuzados e doces totalmente melados. Eu dei para ele como um bolo surpresa de chocolate com calda que ele devorou tão atrevidamente me elevando tão alto que deu vertigem e borboletas no estômago quando ele gozou em mim, um jorro quente longo intenso e sem fim dentro de mim, que eu gozava nele também. Juntos, os dois juntos, com suor e sêmen e saliva e pênis e vagina. Sonho de açúcar. Beijos de açúcar. Um encontro quase improvável que jamais se repetiria. 



E dois gaviões no alto do terreno abandonado quando eu passei.



Tina Zani 

sábado, 24 de março de 2018

MODOS DE AMAR - MODO DE AMAR – I









Lambe-me as seios

desmancha-me a loucura



usa-me as coxas

devasta-me o umbigo



abre-me as pernas

põe-nas nos teus ombros



e lentamente faz o que te digo:







Maria Tereza Horta